Caminhavas delicada por uma viela com um passo tão harmonioso que os teus pés não se enterravam na lama. Um sujeito acercou-se de ti agarrando-te e forçando-te a entrares num beco deserto. O sangue começou a correr rápido pelas minhas veias e segui-vos. O homem queria violentar-te, queria conspurcar o corpo sagrado em que eu desejava concretizar os meus sonhos e as minhas abstracções. Rasgava-te a roupa, acompanhando a tentativa forçada de coito com frequentes murros na tua face… O som dos teus gritos ressoava em mim e fui invadido por uma raiva nunca antes sentida.
O meu olhar deparou-se com uma pedra, diferente das outras não só por ter uma extremidade aguçada, mas principalmente por senti-la como um prolongamento do meu corpo (anos depois aprendi que cada pedra possui a sua própria natureza). Afastei o sacrílego da tua carne e principiei a desferir-lhe inúmeros golpes no crânio e no rosto, assistindo maliciosamente à lenta desfiguração da face da besta.
Sentia luxúria ao observar-lhe o sangue jorrando pela face, ensopando-se na roupa e maculando o chão enlameado. O sangue a jorrar com a intensidade das águas das enxurradas… provocadas por temporais repentinos. Mesmo depois do homem desfalecer, prossegui com os meus movimentos selváticos que lhe dilaceravam a carne meia viva meia morta, desgarrada, nacos que já nem sequer a um cadáver pertenciam. E a tentação da carne foi castigada com a flagelação da carne.

Afinal a "loba do Capitólio" é alemã e o Rómulo e o Remo são polacos.

