terça-feira, 24 de julho de 2007
Crónica de um cerco medieval e infernal
Primeira nota mais ou menos editorial do blog
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Alcoólicos Anónimos. Hoje é quinta-feira
Adormecer eternamente afastado de tudo, afastado da própria vida, afastado dos que amei, porque quando se adormece como eu hei-de adormecer é porque já não existe a possibilidade de se amar seja o que for.
Adormecer eternamente com uma garrafa de absinto como mortalha…
Adormecer eternamente amortalhado numa garrafa de absinto…
quarta-feira, 18 de julho de 2007
O fragmento de teoria literária da semana
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Retratos de vidas impossíveis de retratar
– Ouve lá… Sempre é verdade aquela história que o pessoal contava?
– Que história?
– Que partiste um braço de propósito para não ir à guerra?
– Isso é uma história tão real como as histórias da nossa infância…
– Como assim?
– Sei lá… por exemplo, lembras-te daquela história do Domingues?
– Se me lembro pá, se me lembro… Diziam que o gajo tomou banho numa lagoa da serra em pleno Inverno só para poder afirmar que a água estava fria…
– Exacto… Estiveste lá? Viste?
– Não…
– Eu também não…
– E?
– Quer dizer que não podemos saber se a história é realmente verdadeira…
– Onde é que queres chegar com esse palavreado?
– Que ninguém pode saber se eu parti um braço propositadamente para não ir à guerra…
– Sim está bem… Mas é verdade ou mentira? Conhecendo-te como te conheço sou capaz de jurar que é mentira…
– Mas é verdade…
- Verdade? Ó Castro, não pensei que fosses gajo para fazer isso…
– Também nunca pensei que fosses gajo para ir à guerra só porque sim…
– Eh… calma aí…
– Vamos mudar de assunto… não nos víamos para aí há trinta anos e devemos ter assuntos mais divertidos para partilhar.
– Tens razão… mas fugires da guerra… como é que aguentaste ficar aqui e saber que os teus camaradas estavam a morrer em África? O Brandão, o Costa, o Melo, o Magalhães, o Silva, o Fernandes, o Gama, até o duro do Domingues… ficaram lá todos e tu aqui a assistir a isso, sem fazer nada?
– Talvez tenha sido o acaso que me fez ficar…
– Badamerda para o acaso… não vou nessa cantiga. Se fugiste deliberadamente da guerra foi por opção, não por acaso. Se tivesses tido o azar de nascer sem um tomate aí sim seria um acaso… mas tu optaste por não ir à guerra e por deixar morrer os outros sem ti… tu optaste…
– Talvez tenhas razão. Mas encontrarmo-nos depois de todos estes anos foi um acaso…
– Sim, mas isso não importa, isso não vai mudar as nossas vidas…
– Viste-os morrer? Aos nossos? Ao pessoal da nossa terra?
– Só ao Domingues e ao Costa… Os outros não estava com eles… Ainda hoje sonho com isso… O Domingues e o Costa. Lembras-te quando fomos com eles roubar o vinho ao vigário?
– Se me lembro… bem divertido e foi bem feito…
– Pois foi… o vigário era um grande filho da puta… o vigário é que devia ter pisado a merda da mina que o Costa pisou…
– O Costa morreu por causa de uma mina?
– Ele e o Domingues… Estavam a disparar contra a gente e desatámos a correr para um sítio onde nos pudéssemos esconder. O Costa colocou a pata em cima de uma mina e parou. Ficámos todos em pânico… sabes o que é que o Domingues fez? Tu sabes como era o Domingues… mandou-nos continuar a correr e foi pelo meio do fogo cerrado até ao pé do Costa…
– Também fugiste?
– Eu não fugi… só procurei um local mais guarnecido para poder cobrir o Domingues… Eu não fugi, nunca na minha vida fugi a nada… O Domingues tentou desarmadilhar a mina… e o Costa ali quietinho como a estátua do Cristo-Rei e as balas a passar de um lado para o outro. Estávamos todos a rezar para que o Domingues conseguisse tirar dali o Costa… Depois uma bala atingiu o Costa e buuuummm… ficaram os dois esfrangalhados…
– Porra… Ao menos tu safaste-te!
– Claro…
domingo, 15 de julho de 2007
O assassino da lama
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Paixões instantâneas
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Diz que este blog já proporcionou momentos de excelência

terça-feira, 10 de julho de 2007
Inédito: o autor deste blog perde a cabeça e tenta fazer um sucedâneo de poesia
Não existe céu nem terra,
Não existem estrelas nem mares,
Não existe fogo nem água.
Quero que saibas que sem ti
Não existe beleza nem afectos
Não existem lágrimas nem sorrisos
Não existe felicidade nem saudade.
Quero que saibas que sem ti
Não existe vida nem morte,
Não existe crime e castigo.
Não existe amor. Não existe ódio.
Quero que saibas que sem ti
Nada existe
Mas falemos de nós,
De nós em tempos onde não existem plurais.
Falemos de olhos,
Mas estamos em tempos onde não existem olhares.
Falemos de amor,
onde o chão não se pisa
o céu não se vê
as folhas não caem
o mundo não é
o som não se ouve
o mar não se cheira
Falemos de amor
Façamos amor
Na busca de nós
Querendo sentir
O que não se sente
Sentir o vazio do que será
Esperar por um amanhã que não chegará
Para quê sentir o que nunca se irá sentir
O que nunca se irá viver
Preso ao erro
Preso ao que não existe
Preso a um absurdo…
Quero que saibas que sem ti
Não existe vida nem morte,
Não existem a saudade e o carinho.
Não existe amor. Não existe ódio.
Quero que saibas que sem ti
Nada existe.
domingo, 8 de julho de 2007
Retratos de uma cidade impossível de retratar
- Concordo perfeitamente… Ainda ontem assisti a um episódio insólito que teve o efeito que descreveste há pouco. Queres que te conte? Então foi assim… Ia pela rua quando me deparei com um músico… Só que o músico não tocava e cantava horrivelmente mas era, sem dúvida nenhuma, um músico. Tinha um microfone de madeira e, em vez de guitarra, usava uma simples tábua minimalista e, apesar de não haver cordas para fazer acordes, o músico parecia estar mesmo a fazer uma qualquer espécie de alquimia. Cantava com a voz esfarrapada, exprimindo o corpo como se fosse uma pop star. Não tem piada? Não era a isto que te referias?
terça-feira, 3 de julho de 2007
O texto medieval da semana (tentativa de criar um diálogo de despedida entre mestre e discípulo)
segunda-feira, 2 de julho de 2007
domingo, 1 de julho de 2007
Memórias de um velho sobre a sua juventude
sexta-feira, 29 de junho de 2007
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Outro excerto de uma reunião dos Alcoólicos Anónimos. É que hoje é quinta-feira.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
D. Sebastião e o V Império
Eu juro que não faço estas coisas de propósito, mas a poesia parece perseguir-me. Depois da mulher que vendia poemas , que por acaso voltei a encontrar novamente, foi a vez de um senhor na praia, com a pele batida pelo sol e áspera do tabaco, me perguntar se gostava de poesia. Não foi bem se gostava de poesia, foi mais: "Gosta de Fernando Pessoa?". Ao que eu respondi que sim, porque por acaso até gosto de Pessoa, dos heterónimos e do semi-heterónimo (um dia ainda conversaremos sobre os semi-heterónimos). E pensei, se me vai vender um poema, ao menos que seja um poema de Pessoa. Mas não, o senhor não me queria vender nenhum poema, queria era oferecer-me um livro de poemas de Fernado Pessoa.
Afinal a "loba do Capitólio" é alemã e o Rómulo e o Remo são polacos.