Retratos de vidas impossíveis de retratar II
– Diz…
– Estás a ver as pedras dos passeios?
– Sim…
– Aquelas brancas e pretas…
– As brancas sei, as outras não são bem pretas, são mais azuis escuras…
– Preto ou azul-escuro tanto faz, o que importa é que umas são claras e outras escuras, o fundamental é o contraste, nada mais…
– Está bem…
– Quando andares nos passeios nunca pises as pedras pretas…
– Porquê?
– MIIIIIIIIIIIIINA!!!!
– Aquilo houve gajos que vieram de lá completamente doidos e que fugiram, mas eu nunca fugi…
– Acho que precisas de te tratar…
– De me tratar eu? EU... EU... Nem pensar. Eu não preciso de me tratar, também nunca precisei de fugir ouviste?
– As pedras escuras da calçada não são minas…
– Ai isso é que são… são… eu sei que são… a minha filha… morreu assim… pisou uma pedra dessas…
– Não, não pisou…
– Mas tu nem conheceste a minha filha?
– Infelizmente conheço…
– Também me saíste cá um badameco… conheceste a minha filha e dizes infelizmente?
– Fui eu que a matei… atropelei-a…
– Atropelaste agora… ela pisou uma pedra e explodiu…
– Atropelei-a… já te disse… não adianta fugires às coisas…
– Eu nunca fujo a nada, ouviste? Atropelaste a minha filha? Se dizes que sim eu não fujo a isso, mas eu sei que ela pisou uma pedra preta da calçada e que morreu… achas que eu acredito que o melhor amigo da minha infância a atropelou? Pelo Amor de Deus!!
– Mas eu atropelei-a…
– Pagas tu a conta, não pagas? Afinal não foste à guerra…
– Vais-te embora?
– Sim…
– Mas eu estou a dizer-te que atropelei a tua filha…
– Já te disse que ela pisou uma pedra da calçada… Porta-te bem maçarico…
– Eh pá… não fujas…
– Já te disse que nunca fugi e não era agora que o iria fazer…


Afinal a "loba do Capitólio" é alemã e o Rómulo e o Remo são polacos.