sexta-feira, 5 de outubro de 2007
O Dia da Implantação da República
domingo, 30 de setembro de 2007
A velha que anda sempre com um gato preto às costas
sábado, 29 de setembro de 2007
Directas no PSD
E por falar em Santana Lopes, parece que a aplicação dos mind games de Mourinho à política podem trazer resultados positivos. Mas o antigo primeiro-ministro falhou no timing. Fossem as directas daqui a dois meses e Santana regressaria em grande. Talvez com Mourinho como presidente do partido houvesse oposição e Sócrates tivesse de começar a mostrar resultados para apresentar em 2009.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
O Mito de Sísifo
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
O dia em que o tempo tirou férias
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Fundamentação da Merdafísica dos Costumes
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Outra vez a mulher que vende poemas
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Crónicas Insanas I
domingo, 19 de agosto de 2007
Uma questão ocular
A cara enrugada pelo tempo,
A pele ressequida pela erosão das horas.
Olhas a vida,
Sabes que a existência
Será sempre o que foi.
Olhas a tua mulher,
Recordas-te tenuemente dos laivos de paixão
Que te invadiram nos teus tempos de juventude.
Olhas para dentro de ti,
Para além das tuas entranhas
E o que vês?
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Apontamentos sobre a Igreja Global da Democracia de Deus, a nova seita da moda
domingo, 12 de agosto de 2007
Retratos de vidas impossíveis de retratar III (conclusão)
Retratos de vidas impossíveis de retratar II
– Diz…
– Estás a ver as pedras dos passeios?
– Sim…
– Aquelas brancas e pretas…
– As brancas sei, as outras não são bem pretas, são mais azuis escuras…
– Preto ou azul-escuro tanto faz, o que importa é que umas são claras e outras escuras, o fundamental é o contraste, nada mais…
– Está bem…
– Quando andares nos passeios nunca pises as pedras pretas…
– Porquê?
– MIIIIIIIIIIIIINA!!!!
– Aquilo houve gajos que vieram de lá completamente doidos e que fugiram, mas eu nunca fugi…
– Acho que precisas de te tratar…
– De me tratar eu? EU... EU... Nem pensar. Eu não preciso de me tratar, também nunca precisei de fugir ouviste?
– As pedras escuras da calçada não são minas…
– Ai isso é que são… são… eu sei que são… a minha filha… morreu assim… pisou uma pedra dessas…
– Não, não pisou…
– Mas tu nem conheceste a minha filha?
– Infelizmente conheço…
– Também me saíste cá um badameco… conheceste a minha filha e dizes infelizmente?
– Fui eu que a matei… atropelei-a…
– Atropelaste agora… ela pisou uma pedra e explodiu…
– Atropelei-a… já te disse… não adianta fugires às coisas…
– Eu nunca fujo a nada, ouviste? Atropelaste a minha filha? Se dizes que sim eu não fujo a isso, mas eu sei que ela pisou uma pedra preta da calçada e que morreu… achas que eu acredito que o melhor amigo da minha infância a atropelou? Pelo Amor de Deus!!
– Mas eu atropelei-a…
– Pagas tu a conta, não pagas? Afinal não foste à guerra…
– Vais-te embora?
– Sim…
– Mas eu estou a dizer-te que atropelei a tua filha…
– Já te disse que ela pisou uma pedra da calçada… Porta-te bem maçarico…
– Eh pá… não fujas…
– Já te disse que nunca fugi e não era agora que o iria fazer…
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Sensibilidades
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
A Assembleia Geral do BCP
terça-feira, 31 de julho de 2007
Retratos de vidas impossíveis de retratar
– Pudera…
– Quando passa um avião o gajo foge de casa a gritar que lhe estão a roubar as telhas…
– A mim o quê?
– Aquilo não te fez impressão?
– Eh pá, claro que fez… Há coisas que fiz que nunca contei à minha mulher… Há coisas que ainda hoje sonho com elas… mas é a vida… o que vale é que nunca fugi, ouviste bem? Nunca fugi…
– Chegaste a matar alguém?
– Merda de pergunta… se um gajo vai à guerra tem de matar…
– Remorsos? Eu… que nunca fugi? Há lá agora espaço para remorsos…
– Mas eu sinto…
– Bem me parecia… sentes remorsos por não ter ido à guerra?
– Não…
– Então?
– Matei uma mulher…
– Deixa lá isso, se soubesses as que matei só por não quererem ir para a cama comigo…
– A sério??!!
– Claro que não… estava só a brincar
– Mas mataste gente?
– Já te disse que sim... Muita… Houve uma vez que nos mandaram enterrar pessoas de uma aldeia até ao pescoço e os oficiais começaram a fazer pontaria às cabeças rentes ao chão com pedras e passaram-lhes com os jipes por cima… julgas que isto sai da cabeça de um gajo? Julgas que não choro? Às vezes choro mas nunca fugi… quero que saibas que nunca fugi…
– Sim… já sei que nunca fugiste… Mas eu não consigo viver com a morte de alguém na minha consciência…
– Mas mataste de propósito?
– Não… ia a conduzir e atropelei uma mulher… ofusquei-me com a luz do sol e atropelei-a… não me recordo muito bem desse momento, só me lembro de um fino fio de sangue escorrer-lhe pelo lado direito da boca…
– Já pensaste que se calhar não tiveste culpa?
– Não importa… a morte daquela mulher não me deixa dormir… o sentimento de culpa é tanto que parece que o mundo vai acabar…
sábado, 28 de julho de 2007
Eu comi a tua gaja... lol

Sempre existiu aquilo a que alguns chamam de "muletas" na linguagem. Com a democratização da comunicação multimédia apareceram inúmeras dessas "muletas" nesse contexto linguístico, sendo que, na minha humilde opinião, o "lol" é a mais engraçada de todas. Primeiro, porque o "lol" se utiliza quando as coisas aparentam ter piada. E em segundo, o "lol" pode safar-nos de todas as complicações comunicativas que aparecem via internet.
Assim, podemos dizer a maior barbaridade que se a seguir digitarmos as três letrinhas mágicas (e não estou a falar da palavra mãe) a barbaridade passa a graçola e é perdoada. Por outro lado, a dimensão comunicativa da internet não permite ter uma percepção real da reacção dos nossos interlocutores. Não sabemos se estão a achar piada ou se estão a ficar chateados com a conversa, daí que, pelo sim pelo não, convém utilizar compulsivamente o "lol".
terça-feira, 24 de julho de 2007
Crónica de um cerco medieval e infernal
Primeira nota mais ou menos editorial do blog
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Alcoólicos Anónimos. Hoje é quinta-feira
Adormecer eternamente afastado de tudo, afastado da própria vida, afastado dos que amei, porque quando se adormece como eu hei-de adormecer é porque já não existe a possibilidade de se amar seja o que for.
Adormecer eternamente com uma garrafa de absinto como mortalha…
Adormecer eternamente amortalhado numa garrafa de absinto…
quarta-feira, 18 de julho de 2007
O fragmento de teoria literária da semana
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Retratos de vidas impossíveis de retratar
– Ouve lá… Sempre é verdade aquela história que o pessoal contava?
– Que história?
– Que partiste um braço de propósito para não ir à guerra?
– Isso é uma história tão real como as histórias da nossa infância…
– Como assim?
– Sei lá… por exemplo, lembras-te daquela história do Domingues?
– Se me lembro pá, se me lembro… Diziam que o gajo tomou banho numa lagoa da serra em pleno Inverno só para poder afirmar que a água estava fria…
– Exacto… Estiveste lá? Viste?
– Não…
– Eu também não…
– E?
– Quer dizer que não podemos saber se a história é realmente verdadeira…
– Onde é que queres chegar com esse palavreado?
– Que ninguém pode saber se eu parti um braço propositadamente para não ir à guerra…
– Sim está bem… Mas é verdade ou mentira? Conhecendo-te como te conheço sou capaz de jurar que é mentira…
– Mas é verdade…
- Verdade? Ó Castro, não pensei que fosses gajo para fazer isso…
– Também nunca pensei que fosses gajo para ir à guerra só porque sim…
– Eh… calma aí…
– Vamos mudar de assunto… não nos víamos para aí há trinta anos e devemos ter assuntos mais divertidos para partilhar.
– Tens razão… mas fugires da guerra… como é que aguentaste ficar aqui e saber que os teus camaradas estavam a morrer em África? O Brandão, o Costa, o Melo, o Magalhães, o Silva, o Fernandes, o Gama, até o duro do Domingues… ficaram lá todos e tu aqui a assistir a isso, sem fazer nada?
– Talvez tenha sido o acaso que me fez ficar…
– Badamerda para o acaso… não vou nessa cantiga. Se fugiste deliberadamente da guerra foi por opção, não por acaso. Se tivesses tido o azar de nascer sem um tomate aí sim seria um acaso… mas tu optaste por não ir à guerra e por deixar morrer os outros sem ti… tu optaste…
– Talvez tenhas razão. Mas encontrarmo-nos depois de todos estes anos foi um acaso…
– Sim, mas isso não importa, isso não vai mudar as nossas vidas…
– Viste-os morrer? Aos nossos? Ao pessoal da nossa terra?
– Só ao Domingues e ao Costa… Os outros não estava com eles… Ainda hoje sonho com isso… O Domingues e o Costa. Lembras-te quando fomos com eles roubar o vinho ao vigário?
– Se me lembro… bem divertido e foi bem feito…
– Pois foi… o vigário era um grande filho da puta… o vigário é que devia ter pisado a merda da mina que o Costa pisou…
– O Costa morreu por causa de uma mina?
– Ele e o Domingues… Estavam a disparar contra a gente e desatámos a correr para um sítio onde nos pudéssemos esconder. O Costa colocou a pata em cima de uma mina e parou. Ficámos todos em pânico… sabes o que é que o Domingues fez? Tu sabes como era o Domingues… mandou-nos continuar a correr e foi pelo meio do fogo cerrado até ao pé do Costa…
– Também fugiste?
– Eu não fugi… só procurei um local mais guarnecido para poder cobrir o Domingues… Eu não fugi, nunca na minha vida fugi a nada… O Domingues tentou desarmadilhar a mina… e o Costa ali quietinho como a estátua do Cristo-Rei e as balas a passar de um lado para o outro. Estávamos todos a rezar para que o Domingues conseguisse tirar dali o Costa… Depois uma bala atingiu o Costa e buuuummm… ficaram os dois esfrangalhados…
– Porra… Ao menos tu safaste-te!
– Claro…