sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Espaço físico vs. o não-espaço

De repente aquela cozinha a cair aos bocados, cheia de gordura, de caruncho e onde matronas mijavam em festas exóticas foi transportada para uma outra dimensão: a do sonho e de todas as possibilidades que ele nos dá. Quase sempre boas e sempre a darem a sensação de que são reais. A enganarem-nos... As malandras das possibilidades dos sonhos.

domingo, 17 de agosto de 2008

Ainda sobre o facto de o óleo Vêgê fritar durante 21 horas

O tempo é mais persistente que o óleo Vêgê (o Dalì é que sabia). Eles bem se esforçaram, bem tentaram e aquilo não aguentou mais que 21 horas. Já o tempo, esse sacana, teve todo o tempo do mundo para aperfeiçoar o método da fritura. Ele frita aos poucos, sem que os objectos/sujeitos a fritar se apercebam do facto de estarem a ser fritos. O tempo, esse sacana, consegue fritar eternamente.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pedaços de leituras

"Sei apenas que raptaram a minha alma. Exijo que a libertem imediatamente!". (António, personagem condenada por homicídio).

in O Inimputável, de Pedro Afonso (Editora Sopa de Letras)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Férias no mármore

Ele não tem nome. Os pais, que já foram para o outro lado há um tempo que nem ele sabe muito bem, até o baptizaram. Mas à medida que eles foram fugindo da sua memória, também o seu nome e até a sua própria vida foram saindo dentro dele. Os pais gostariam que ele se estivesse especializado em alguma coisa. E, apesar de já não se lembrar dessas aspirações, ele lá cumpriu o sonho dos pais. É especialista em pés e em sapatos. A formação que teve foi-lhe dada pela sua existência, da qual ele já não tem consciência, a não ser quando passa as noites a olhar para o plasma na montra da agência de viagens.

Ele passa o dia deitado, num leito duro de mármore, tendo sempre um cão por perto. Ele, o mármore e o cão têm em comum o abandono. Um abandonou-se a si próprio, o outro foi, juntamente com o edifício onde foi encastrado, abandonado por habitantes que foram morrendo, enquanto o cão de raça que se transformou em rafeiro foi abandonado por aí num Verão qualquer. O homem já nem se considera como tal, à excepção de quando olha para o plasma na montra da agência de viagens. Não fala com ninguém, evita confrontar-se com rostos, mas conhece toda a gente pela maneira de andar, pela forma de pousar os pés, de os levantar, do barulho que fazem a bater no passeio (que em dias mais escuros lhe causam enxaquecas terríveis). Passa assim o dia inteiro. A estudar e a observar pés, sapatos, ténis, sandálias, botas.

Mas à noite sonha. Abandona por momentos o mármore duro e frio, ergue-se e caminha em direcção à montra da agência de viagens. Fica estático a olhar para o plasma onde desfilam destinos com sol, praias, casas com formas esquisitas, castelos, barcos, mulheres exóticas e sorridentes. Permanece assim durante meia hora, quase que hipnotizado, com o cão plantado a seu lado a tentar imaginar os cheiros que se escondem por trás das paisagens mostradas pelos cristais do plasma. O homem não quer saber dos cheiros. Só pensa em como é que vai conseguir levar a soleira de mármore para aquelas praias, aquelas casas com formas esquisitas, aqueles castelos, aqueles barcos e convencer aquelas mulheres exóticas e sorridentes a deitarem-se na pedra de tons rosáceos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Vêgê frita durante 21 horas, e você?


Não sei, ainda não experimentei a minha capacidade e resistência de fritar activamente. Já passivamente, acho que estou sempre a ser frito, tipo aquele óleo usado nas tascas perto do Largo do Carmo. É que se não é alguém armado em Vêgê é o raio do tempo a fazer-me acreditar que o horizonte não passa do limite ilusório de uma infinda frigideira.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Carta de um narrador a uma personagem rebelde

Quando imagino o que fazes, vejo-te. A penumbra que me envolve dissolve-se... a dinâmica do meu ser compatibiliza-se com a do teu. Nesses momentos reduzo-me ao narrado e permuto-me em ti. No entanto, o retorno que é eterno traz de volta a penumbra obscura que te encobre. O momento em que fui como tu torna-se passado. Só a memória do que se passou me permanece, mas também ela vai sendo embrenhada pela penumbra, até que, finalmente, se desvanece. Contudo, a recordação da memória ainda me fica, e sei que existiu um conjunto de acontecimentos emparelhados que proporcionaram um instante que memorizei.


Não sei o que fizeste ontem, talvez ninguém saiba. Posso usar o pretexto de desconhecer o que és por não existires... é uma escapatória consistente, paradoxal no entanto. Se te penso é porque existes, se te referencio és. Não se pode referenciar nem pensar o inexistente. O Nada deixa de ser Nada a partir do momento em que é enunciado, porque é um conceito, uma noção, uma ideia, uma palavra.


O que me perturba não é o facto de não existires, porque existes, mesmo que seja somente em-mim. O que realmente me perturba é o facto de não saber como existes. Deparo-me com hipóteses infinitesimais do que és, verosímeis até, e não sei qual a real, nem sequer se a real existe.


Nasce o impasse...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Crise social? Nãã! É mesmo desespero...

Parece que se sente assim um "mal estar difuso no país", que pode desembocar assim para uma qualquer coisa difícil de prever, do género crise social, e que, com toda a certeza, não trará nada de bom. O aviso é feito pela Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) e, quem quiser saber mais detalhes, pode carregar no link para ver.

Talvez tenham descoberto o perigo tarde demais. Se calhar a coisa já não vai lá, isto porque as perspectivas do comum dos portugueses, que não têm a sorte de serem gestores ou filhos de banqueiros, não são nada animadoras. Como diria Kierkegaard, o desespero é o não esperar e é a mais mortal das doenças. Quantos já desistiram de sonhar, de ter objectivos, de se cumprirem a si próprios? Sobrevive-se dia-a-dia, sem nada esperar. E o nada esperar é o desespero, a mais mortal das doenças, que muitas vezes começa assim com um "mal estar difuso".

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A consulta

Os médicos deviam ser todos autores de tragédias gregas. Ninguém como eles domina tão bem os conceitos da hybris e do pathos. E, para além disso, são mestres em entrelaçarem um mythos uno e perfeito com os numerozinhos que vêem nos resultados do exame. Exímios em conseguirem levar o paciente a atingir a catarsis. Até parece que em vez de lerem os compêndios de medicina, passaram, isso sim, seis anos a esmiuçar a Poética de Aristóteles. Exemplifico.

Dia 17 de Outubro, dia do último post neste blog, fui ao médico. Vinte minutos de consulta, onde o clínico fazia perguntas. Ia respondendo. Ele comentava os items constantes das folhas dos exames. "Isto está bem". "Estes níveis estão dentro do normal". De repente, assim do nada, pergunta: "E costuma beber?". Hesito, e dado que até é uma consulta de medicina no trabalho e não confio muito em sigilos profissionais, respondo: "Ah, sim. Por vezes, aos fins-de-semana, bebo uns copos com os amigos... mas nada de especial". Ele anota, parece não fazer caso. E olha para o electrocardiograma. "Você pratica desporto? É que tem coração de atleta". E com este comentário pensei, "eh pá, estou mesmo em boa forma!".

Entretanto, o tempo lá vai passando e a consulta aproxima-se do fim. De repente, o doutor tira uma folha que estava guardada à parte. "Pois, mas há aqui um problemazito". Pronto, as piores ideias vêm-me à cabeça, começo a sofrer o pathos dos heróis das tragédias gregas. E onde, quando e como é que eu desafiei o destino? De cara séria, o médico diz: "Aqui os seus níveis hepáticos estão muito acima do normal". Ok, já percebi, o álcool. Pois. Aí é que foi a hybris, utilizar o álcool para desafiar o destino. Moral da história: desde 17 de Outubro que não bebo. É aquilo a que Aristóteles chamaria a purificação catártica. E desde que bebo que não escrevo (tirando agora esta tentativa), tipo Édipo de olhos vazados.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Texto que se escapuliu da "gaveta"

Johann passeava pelas ruas da cidade. Deambulava pela zona dos antiquários, observando o meio envolvente com minúcia e pormenor. Sabia que procurava algo. O quê, não o podia enunciar. Nunca gostara de teorias cíclicas que determinassem o indivíduo. O inesperado deveria fazer parte do que é, e que por sê-lo se torna esperado depois de não o ter sido.

Errava tropeçando em cadeiras e absorvendo o húmido cheiro da madeira bafienta. A dado momento parou e dirigiu o olhar para a sua direita... e viu-o. Incólume e cercado por velharias. Estava imóvel. Aguardava o fim do prelúdio que não tardaria a dar lugar à fuga. Johann aproximou-se dele e reconheceu todo o seu potencial. Levou-o para casa.

Anoitecera... ambos se contemplavam num diálogo mudo que os preparava para a mútua incorporação. Johann principiou por tacteá-lo deslizando os dedos sobre os seus contornos. Reconheciam-se...

Finalmente Johann pegara no arco e uma primeira manifestação da união ressoou grave pelas paredes de pedra. O errante estava absorto durante o primeiro contacto auditivo que tivera com ele:

- Agora já sei que estás preparado para me ouvir. – dizia-lhe Johann – As formas existem, mas para as preenchermos deparam-se-nos infinitos caminhos que preenchem toda a necessidade de imprevisto que existe.

Sem perder tempo Johann agarrou firmemente o violoncelo e, ininterruptamente, brandia o arco nas cordas e o que era som transformara-se em imagem... e, nesse momento, ele viu: a sua mulher morria, o seu filho morria, viu a sua própria morte. No entanto, a alma continuava protegida da corrupção do que é corrompido. A sua alma possuía as cordas através do arco e as imagens sucediam-se: canhões trucidavam corpos de homens, de mulheres, de crianças; chamas queimavam casas e reduziam pessoas a cinzas. De pó foste feito, pó tornarás a ser. O desfile prosseguia: uma bomba, de grandes proporções, fazia desaparecer tudo o que existia nas periferias do local onde fora arremessada; crianças nasciam condenadas a não viver, fruto da maldição de serem inocentes. Em laboratórios criavam-se vírus mortíferos que dizimaram a espécie humana, inclusive os seus criadores, descendentes de Pandora. Era o advento do apocalipse: chagas e sangue. O que existia fora sugado pelo que não existia e chegou o juízo final. O juiz do trono branco queimou o livro dos mortos e a alma que animava o violoncelo desaparecera, mas como que por inércia, o instrumento prosseguia a sua incógnita melodia. Escreveu-se um novo livro da vida.

O violino desaparecera...

Um homem num paraíso, acompanhado por uma mulher, uma serpente e uma maçã. A expulsão. O irmão que matou o irmão. O recomeço de toda a maldição.

domingo, 14 de outubro de 2007

Luís Filipe Menezes

Eu bem disse que o homem não tinha sex-appeal. Se levasse uma tampa da Soraia Chaves, vá, ainda era como o outro. Agora, levar uma tampa de uma mulher como a Manuela Ferreira Leite é de ferir o orgulho a um gajo.

A mulher que vende poemas (mais uma vez)

Afinal o negócio, tal como eu o planeara, não se concretizou. Tudo porque me esqueci de andar acompanhado por um texto que servisse como moeda de troca por um poema da mulher que os vende no Chiado. Mas sempre aconteceu uma transacção. Acedi, finalmente (também já não era sem tempo), a comprar-lhe um poema, com direito a desconto e tudo (obviamente que não o irei reproduzir aqui, porque respeito os direitos de autor).Também não tenho nenhuma crítica a fazer, nem a pretensão de dizer se é bom, se é mau, se é de qualidade ou não.

Agora, a mulher que vende poemas já me reconhece, já me cumprimenta com dois beijinhos e tudo e até me disse o seu nome e me fala sobre a sua vida. E parece que afinal a poesia avulso é matéria tributável. Uns dias depois do "negócio" reencontrei-a mais uma vez. "Ultimamente não a tenho visto por cá". "É que ultimamente tem andado por aqui a polícia.", responde-me. "A polícia? Vender poemas é crime?", interrogo. "Mais ou menos, tenho de obter uma licença na Câmara de Lisboa para os vender e tenho de me colectar nas Finanças. Só o pedido da licença são 50 euros...". Afinal as poesias, e muito provavelmente as ficções, são matéria tributável.

Percebo agora porque é que a burocracia é inimiga da poesia e, em última instância, do pensamento. De qualquer das formas, se não tiver de pagar imposto de selo, ainda tentarei trocar o meu texto por mais um poema.

sábado, 13 de outubro de 2007

Regresso ao trabalho

Depois de umas férias prolongadas, Deus regressou ao trabalho. Olhou para o estado do mundo e disse: "And now, who cleans up the mess?". E meteu baixa psiquiátrica por tempo indeterminado.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Têm de dar o desconto. Afinal, parece que o autor deste blog está ou esteve apaixonado

Vagueio pela rua contemplando as pessoas que me olham sem me ver. A cada cara desconhecida associo a tua imagem. A recordação do que nunca foi invade-me sem eu dar conta. Imagino-me a passear contigo absorvido numa felicidade imensurável. Sonho-te devaneando no espaço do não feito e do não visto. Poderia dizer que te adoro, mas não me atrevo a manifestar algo que nunca foi nem nunca será. A perfeição da tua imagem aparece-me apenas porque tudo o que possa ser contigo só pode ser em pensamento. Qualquer tentativa de aproximação ao real é uma aproximação ao interdito. Não importa… contento-me em imaginar-te imaginando-me, em viver virtualmente o sentimento de que me vives, a ser em ti ilusoriamente.

domingo, 7 de outubro de 2007

O pensamento piegas da semana

Todos já escreveram sobre ele, mas ainda ninguém o conseguiu definir, caso contrário já não seria necessário escrever sobre ele. O roçar de um arco nas cordas, o soprar de um saxofone, o toque nas teclas de um piano, tentar agarrar a vida para ela não nos fugir... tudo isso é amor. E tudo isso junto não basta para o exprimir.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O Dia da Implantação da República

Óptimo para coçar os tomates. Do que se conclui que ser-se republicano é ser-se perito em coçar os tomates.

domingo, 30 de setembro de 2007

A velha que anda sempre com um gato preto às costas

Conheceram-se quando ela ainda era ela, num tempo em que ela ainda tinha uma vida. Ele apareceu-lhe, ainda pequeno mas já felino, com os pêlos pretos a reflectirem os feixes de luz. Ela adoptou-o e ele assistiu à sua decadência. Agora, ela percorre as ruas da cidade, à procura de comida aqui e ali, para ela e, principalmente, para o gato. O felino viaja sempre às suas costas, como um timoneiro que lhe indica o destino, sabe-se lá para onde. Ela, cansada de definir o rumo da vida, deixou que fosse o gato a comandá-la, a guiá-la, colina abaixo, colina acima. Ela que agora parece um gato humano, ele que se assemelha a um homem felino. Ela apanhou-lhe os trejeitos, afugenta os pombos, e, há até quem diga, que mia... que lambe as suas próprias mãos. E caminha todos os dias, sem saber para onde. Não importa, o gato preto sabe. Sopra-lhe ao ouvido e ela consegue atribuir um significado a todos os sons que o gato emite. Já sobre a sua vida, os significados esqueceu-os todos. Talvez o gato preto se lembre...

sábado, 29 de setembro de 2007

Directas no PSD

A escolha não era muita. Mas hoje Sócrates vai dormir muito mais descansado. Afinal quem é que vai colocar o país nas mãos de uma versão sem sex-appeal de Santana Lopes?

E por falar em Santana Lopes, parece que a aplicação dos mind games de Mourinho à política podem trazer resultados positivos. Mas o antigo primeiro-ministro falhou no timing. Fossem as directas daqui a dois meses e Santana regressaria em grande. Talvez com Mourinho como presidente do partido houvesse oposição e Sócrates tivesse de começar a mostrar resultados para apresentar em 2009.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Mito de Sísifo

Acordar. Espreguiçar. Tomar o pequeno-almoço. Fumar um cigarro. Tomar banho. Vestir. Andar. Beber café. Andar outra vez. Descer escadas. Apanhar o metro. Inventar pensamentos no metro. Despertar do sono criativo e sair do metro. Subir escadas. Subir outras escadas (mas estas são mais fácéis porque rolantes). Andar. Chegar ao trabalho. Sentar à frente do computador. Produzir. Pausa para almoço. Sentar novamente à frente do computador. Produzir. Sair do trabalho. Descer escadas rolantes. Descer escadas apenas. Apanhar o metro. Inventar pensamentos no metro (caso o dia de produção não tenha liquefeito a mente). Sair do metro. Subir escadas. Chegar a casa. Suspirar. Fazer jantar. Jantar. Ver programas estúpidos na televisão. Dormir.

Repetir tudo no dia seguinte e no dia depois de amanhã e em todos os dias depois desses. Ser Sísifo no século XXI é mais difícil que rolar eternamente uma pedra de mármore até ao cume de uma montanha.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O dia em que o tempo tirou férias

Houve um dia em que o sol não nasceu e em que a manhã não apareceu. As pessoas não acordaram para cumprir as suas rotinas diárias, os que não se deitaram ficaram imobilizados num sono profundo, petrificados nos passeios das ruas, os pássaros não cantaram, os jornais ficaram retidos nas gráficas, com os operários colados às máquinas, presos no tempo que deixou de o ser. O lixo não apodreceu e os cadáveres já não se decompunham. O vento não soprou e a terra, essa, não girou... permaneceu imutável como se todo o Universo tivesse sido congelado. O curso dos rios parou, as ondas deixaram de embater na areia das praias e nas rochas das falésias... Tudo deixou de ser tudo e passou a ser outra coisa qualquer que ninguém poderia saber o que era. As nuvens ficaram fixas no céu, estáticas como se tivessem sido pregadas num papel de cenário sem princípio nem fim. Os corações cessaram os seus batimentos e os cérebros não emanaram mais infinitos impulsos magnéticos (ou serão eléctricos?).

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Fundamentação da Merdafísica dos Costumes

Podia ser uma obra de Kant, mas parece que o filósofo alemão era demasiado asseado para escolher este título para um tratado. Preferiu escolher Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Ora, se os costumes estão para além do mundo físico, como é que poderão ser Merdafísica? Porque cumprir o dever pelo dever ou agir em conformidade com o dever guiados pela razão pode, muitas vezes, dar merda. E não só no sentido metafísico do termo. Ok, confesso... é um post triste e algo merdoso.